Quem dentre os homens pode pleitear algo de Deus com base em seus méritos e virtudes? A quem dentre os homens interessa o julgamento dos povos? Davi era profeta e tal qual Isaias escreveu acerca do Messias quando compôs este salmo. Este salmo é messiânico e devemos analisá-lo segundo o prisma da pessoa de Cristo.
1 SENHOR meu Deus, em ti confio; salva-me de todos os que me perseguem, e livra-me;
2 Para que ele não arrebate a minha alma, como leão, despedaçando-a, sem que haja quem a livre.
3 SENHOR meu Deus, se eu fiz isto, se há perversidade nas minhas mãos,
4 Se paguei com o mal àquele que tinha paz comigo (antes, livrei ao que me oprimia sem causa),
5 Persiga o inimigo a minha alma e alcance-a; calque aos pés a minha vida sobre a terra, e reduza a pó a minha glória. (Selá.)
6 Levanta-te, SENHOR, na tua ira; exalta-te por causa do furor dos meus opressores; e desperta por mim para o juízo que ordenaste.
7 Assim te rodeará o ajuntamento de povos; por causa deles, pois, volta-te para as alturas.
8 O SENHOR julgará os povos; julga-me, SENHOR, conforme a minha justiça, e conforme a integridade que há em mim.
9 Tenha já fim a malícia dos ímpios; mas estabeleça-se o justo; pois tu, ó justo Deus, provas os corações e os rins.
10 O meu escudo é de Deus, que salva os retos de coração.
11 Deus é juiz justo, um Deus que se ira todos os dias.
12 Se o homem não se converter, Deus afiará a sua espada; já tem armado o seu arco, e está aparelhado.
13 E já para ele preparou armas mortais; e porá em ação as suas setas inflamadas contra os perseguidores.
14 Eis que ele está com dores de perversidade; concebeu trabalhos, e produziu mentiras.
15 Cavou um poço e o fez fundo, e caiu na cova que fez.
16 A sua obra cairá sobre a sua cabeça; e a sua violência descerá sobre a sua própria cabeça.
17 Eu louvarei ao SENHOR segundo a sua justiça, e cantarei louvores ao nome do SENHOR altíssimo.
Diante da perseguição o salmista refugiou-se em Deus. Bastou-lhe a confiança para alcançar o livramento de Deus.
O salmista demonstra total entrega e confiança no Senhor quando apresenta em oração todos os seus perseguidores.
Numa primeira leitura este salmo parece semelhante aos outros, porém, a partir do versículo três a idéia transmitida não condiz com um homem concebido em pecado (um dos filhos de Adão).
Em outros salmos verifica-se que é Deus quem justifica o salmista com base na confiança que ele deposita em seu Criador. O salmista jamais se fiou em suas ações para pleitear a justiça divina quando se referia a si mesmo.
Este salmo apresenta uma pessoa integra em si mesma.
O salmista apresenta alguém que recorre à salvação de Deus por meio da fé e ao mesmo tempo interpõe algumas de suas ações para pleitear o auxilio divino. Este alguém após ter sido acusado de perversidade apresenta a integridade das suas ações para motivar o seu Criador a defendê-lo.
O salmo demonstra que a pessoa em tela não era merecedora de tamanha perseguição, visto que as acusações contra ela não eram verdadeiras. Ela argumenta que em momento algum retribuiu o mal com quem tinha paz; antes, o seu comportamento sempre foi dar livramento a quem o oprimia.
O salmista sempre pediu misericórdia fiado no amor de Deus, porém, neste salmo ele se estriba em suas ações e pede a Deus que seja colocada à prova a sua integridade. Se as ações do salmista não fosse conforme as suas palavras, ele pleiteia que Deus o entregasse ao inimigo.
Pelo que conhecemos de Davi, pergunto: ele estaria falando de si mesmo ou de outra pessoa?
Este salmo evidencia que Deus há de julgar os povos. Todos os povos serão congregados quando Deus estabelecer o juízo dantes ordenado. Por causa dos opressores o salmo evidencia que o Senhor há de se levantar na sua ira para julgar os povos.
Não é o salmista que espera o julgamento do Senhor apoiado na sua justiça e na integridade de suas ações. Se entendermos que o salmista espera o julgamento de Deus estribado em sua retidão ou virtudes, estaríamos contrariando a idéia bíblica.
Quem dentre os homens pode pleitear algo de Deus com base em seus méritos e virtudes? A quem dentre os homens interessa o julgamento dos povos?
Davi era profeta e tal qual Isaias escreveu acerca do Messias quando compôs este salmo. Este salmo é messiânico e devemos analisá-lo segundo o prisma da pessoa de Cristo.
O salmista não estava se referindo a si mesmo quando compôs este salmo "E, respondendo o eunuco a Filipe, disse: Rogo-te, de quem diz isto o profeta? De si mesmo, ou de algum outro?" At 8: 34.
Somente quando visualizamos que este salmo refere-se à pessoa de Jesus compreendemos alguns dos aspectos mais profundos da salvação de Deus concedida aos homens.
O Messias
Jesus orou ao Pai expondo os seus momentos difíceis, sendo que algumas vezes chamou o Pai de 'Deus meu': "Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus" Jo 20: 17.
O Messias sempre esteve refugiado no Pai. Jesus, como homem, é aquele que habita à sombra do Altíssimo, pois confiou inteiramente na proteção de Deus.
Jesus sempre se viu cercado de perseguidores que intentavam tirar-lhe a vida. Caso não fosse a proteção do Pai certamente haveriam arrebatado a sua vida como o leão faz à sua presa.
Ele nunca se apoiou em elementos humanos para se proteger daqueles que o perseguiam. Ele não se apoiou em reinos ou exércitos. Trabalhou com doze discípulos embora a multidão o seguisse.
Jesus refugiou-se em Deus e não utilizou seus seguidores para defendê-lo.
Somente Jesus pôde apresentar a Deus as mãos livres de culpa. Jamais pecou.
Nenhum homem conseguiu acusá-lo de pecado, antes levantaram falso testemunho acerca dele. Satanás também não pode acusá-lo de pecado.
Jesus nunca fez mal a quem tinha paz com ele e muito mais! Ele sempre poupou aqueles que mesmo sem razão o perseguia. Apesar de ter legiões de anjos a seu dispor, jamais foram utilizados em sua defesa.
A profecia evidencia que o Cristo jamais pecaria. Jesus não teve a sua glória reduzida a pó. A sua vida não foi calcada aos pés pelos seus perseguidores, antes ele se entregou e ao terceiro dia ressuscitou. Isto por si só demonstra que Cristo sempre esteve livre de culpa (v. 3).
Os versículo seis e sete apresentam alguns aspectos escatológicos, o que torna mais nítido que o salmista não diz de si mesmo, e sim do Messias.
Os versículos seis e sete complementam a idéia abordada no salmo segundo, no qual é apresentada a conspiração das nações contra Deus e o seu Ungido. A ira de Deus também é abordada "Então lhes fala na sua ira, e no seu furor..." Sl 2: 5, compare com: "Levanta-te, ó Senhor, na tua ira..." (v. 6).
Se situarmos os eventos do salmo segundo e do salmo sétimo cronologicamente, este é anterior àquele. Pois no salmo sétimo os povos se congregam e são regidos das alturas Sl 7: 7, enquanto no salmo segundo esses povos se insurgem contra o domínio de Deus Sl 2: 2- 3.
Quando os povos forem reunidos para serem governados das alturas, Deus exercerá juízo sobre eles.
A expressão mais contundente de que este salmo é messiânico se apresenta no versículo oito: "Julga-me, ó Senhor, conforme a minha retidão, e conforme a integridade que há em mim" Sl 7: 8.
Este salmo não diz de alguma disputa do salmista Davi. Ele aborda a retidão de Cristo, onde após entrar em juízo sairá vitorioso por sua própria retidão e virtude.
Quando Deus julgar os povos, terá fim a malícia dos ímpios, visto que Deus estabelecerá sobre eles o Justo. Aquele que entrou em juízo e saiu vitorioso.
Considerações do Salmista
Em seguida surge as considerações do salmista frente a grandeza profetizada, que vai do versículo dez ao dezessete.
O salmista reconhece ter proteção em Deus avista do que foi anteriormente apresentado (v. 10), e em seguida passa a falar de questões eternas (v. 11- 13) e temporais (v. 14- 16). Por fim o salmista louva o Senhor novamente (v. 17).
Deus é escudo, proteção àqueles que nele se refugiam. Ele salva somente os retos de coração! Somente aqueles que forem agraciados por Deus com um novo coração, criado segundo Ele, serão salvos por Deus "Cria em mim, ó Deus, um coração puro..." Sl 51: 10.
O salmista no versículo dez faz referência a regeneração em seu aspecto principal: Deus não salva o homem quando ainda encontra-se morto em delitos e pecados, antes os que são salvos por Deus precisam ser de novo criados com um coração reto e um espírito novo. Vale dizer que Deus não salva o ímpio (o pecador), antes os justos (o homem regenerado).
Deus é justo juiz! Sendo justo, Ele não se manteve impassível frente ao pecado. Desde a queda do homem em Adão a humanidade está sob a ira divina.
Caso o homem não se converta àquele que pode salvá-lo, Deus fará com que sofra o estipulado em juízo: ira e indignação (v. 13).
A ira e a indignação de Deus não devem ser confundidas com aquilo que os homens colhem de suas ações. Não devemos considerar que aqueles que cavam um buraco e caem nele estão sofrendo a ira divina. Aqueles que maquinam o mal acabam por sofrer da própria violência, porém, estes reveses da vida não estão vinculados a ira e a indignação decorrente do juízo de Deus.
Verifica-se que Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta, antes, é o homem que se deixa levar por seus desejos. O homem quando no pecado (ímpio) somente conceberá a iniqüidade. Ele cava e acaba no interior das covas abertas. A concepção dos ímpios é que o levará a morte.
O salmista rende louvores ao Senhor e a sua Justiça, porém o verdadeiro louvor só é possível segundo a justiça que há em Deus. Ele louva segundo a justiça que adquiriu de Deus.




















